Homossexuais não podem doar sangue


Você não acredita nisso?

Pois é, eu também não acreditei.

Estava conversando com um amigo meu, faz um tempinho já. Ele é homossexual assumido há aproximadamente dois anos e meio. No meio de uma conversa qualquer, ele me pareceu um tanto triste. Perguntei se estava tudo bem, e ele me falou sobre uma das coisas mais preconceituosas que eu já escutei na minha vida: HOMOSSEXUAIS NÃO PODEM DOAR SANGUE.

Pois é, ele foi ao Hospital das Clínicas para fazer sua doação. Contou que tudo correu bem no teste de anemia, pressão e tudo o mais, até a parte da entrevista. Geralmente, as perguntas relacionadas na entrevista são sobre tudo: desde a última coisa que você comeu até a sua vida sexual, se tem mais que um parceiro, se tem parceiro fixo, se deixou de usar camisinha em alguma relação sexual, para as mulheres, se tem risco de gravidez… até que chegou o momento da pergunta sobre a orientação sexual.

- Qual é a sua orientação sexual?

- Eu sou homossexual!

- Então… Infelizmente você não pode doar sangue.

(silêncio)

- Você está precisando fazer algum exame? Quer fazer um exame de sangue?

- Não moça, muito obrigado. Eu já fiz esse exame, tem pouco mais de um mês.

Foi mais ou menos esse o diálogo. Durante todo o tempo que passou depois que meu amigo assumiu a sua homossexualidade, nunca se sentiu tão humilhado. Ele queria saber se, caso tivesse dito que era bi, ou que era hetero, mas já tinha tido experiências com pessoas do mesmo sexo a coisa teria sido diferente. E eu fiquei com vontade de saber também. Comecei a pesquisar o assunto.

Não foi com muito custo que encontrei: a ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) determina, na norma técnica RDC nº153, que os homossexuais não podem doar sangue, porque a doação e a utilização do sangue doado dependem, invariavelmente, do estilo de vida do doador. Essa norma na integra pode ser lida aqui. Veja abaixo o trecho que fala sobre a proibição:


B – Doação de Sangue

B.5 – Critérios para a seleção dos doadores

B.5.2.7 Estilo de vida

d) Serão inabilitados por um ano, como doadores de sangue ou hemocomponentes, os candidatos que nos 12 meses precedentes tenham sido expostos a uma das situações abaixo:

- Homens e ou mulheres que tenham feito sexo em troca de dinheiro ou de drogas, e os parceiros sexuais destas pessoas.

- Pessoas que tenham feito sexo com um ou mais parceiros ocasionais ou desconhecidos, sem uso do preservativo.

- Pessoas que foram vítimas de estupro.

- Homens que tiveram relações sexuais com outros homens e / ou as parceiras sexuais destes.

As outras razões para recusa da doação são bastante válidas e tá bem na cara que visam proteger a saúde de quem recebe a doação. No caso de homens que mantiveram relações sexuais com outros homens é que eu não entendi. Porque é que não podem doar? Como comparar alguém que sofreu um estupro com um homossexual? Porque igualar a proibição da doação de sangue para pessoas que fizeram sexo em troca de drogas, ou que mantiveram relações sexuais com parceiros desconhecidos e sem uso de preservativo com a relação sexual entre duas pessoas do mesmo sexo? Acaso se pensa que o gay não conhece seu parceiro? Não se previne?


Achei a proibição porca, homofóbica, injusta. Acho que todo cidadão tem o direito de exercer sua cidadania. Meu amigo, como muitos outros gays, queria doar sangue, um ato de caridade, um auxílio a tantas pessoas que precisam de sangue. Queria apenas ajudar, da forma que pode. Tudo bem que tem muito malandro que se oferece pra doar sangue só pra fazer os exames de graça, mas caramba, se ele estivesse lá pra isso, com certeza mentiria na entrevista, como tanta gente faz. Após a doação, acaso o sangue não é analisado? Não fazem diversos exames para garantir que o sangue doado realmente será útil, e não há perigo em seu uso? Simplesmente não há justificativas para a norma da Anvisa nem para a proibição ou preconceito, como queiram chamar.Confesso, fiquei indignada. Mas, como diria o poeta: “A nossa indignação, é uma mosca sem asas…não ultrapassa as janelas de nossas casas.

Publicado originalmente aqui

Publicado em: on 13 13UTC Maio 13UTC 2009 at 15:41 Deixe um comentário
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Um release para a Campanha Nacional da Voz

Abaixo, um dos releases que escrevi para a Campanha Nacional da Voz,  com a qual trabalhei durante meu estágio na Sintonia Comunicação.

Abaixo,  cópias da clipagem.

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Cliente: ABLV (Academia Brasileira de Laringologia e Voz)
Site: http://www.ablv.com.br
Trabalhos realizados: Envio de release, follow up com o jornalista, marcação de entrevista e envio de dados complementares para a matéria.
Fonte de dados: ABLV

Fagner na 10ª Campanha Nacional da Voz

Trazendo toda a força da sua imagem de cantor com uma carreira repleta de sucessos há mais de 3 décadas, Fagner será a estrela principal da versão 2008 da Campanha Nacional da Voz, que este ano comemora 10 anos. A Campanha, sem fins lucrativos, é realizada pela ABLV (Academia Brasileira de Laringologia e Voz) e tem como objetivo informar e prevenir a população sobre hábitos incorretos no uso das cordas vocais que podem resultar em doenças como o câncer de laringe – a mais grave entre todas.

A Campanha Nacional da Voz é um exemplo de sucesso de uma iniciativa brasileira. Lançada em 1999, trouxe apresentadora Xuxa como principal protagonista. De lá para cá, já participaram outros artistas de grande prestígio no cenário nacional como Pelé, Lima Duarte, Edson Celulari e Cláudia Raia, Andréa Beltrão, Cláudia Leite, Tarcísio Meira e Glória Meneses, entre outros. A Campanha foi reconhecida por várias entidades médicas internacionais tais como Federação Internacional das Sociedades de Otorrinolaringologia, Academia Americana de Otorrinolaringologia e Sociedade Européia de Otorrinolaringologia, e tornou-se uma referência em todo o mundo a partir da criação do Dia Mundial da Voz, homologado em 2003, com data oficial em 16 de abril.

O grande alerta que a Campanha faz é a falta de preocupação da sociedade com a voz. Sintomas como ardor na garganta e dificuldades para engolir são freqüentemente ignorados. Rouquidão persistente é considerada como um sinal de gripe. Infelizmente, médicos e especialistas só são procurados quando os problemas já estão bastante agravados. A maioria da população se esquece da prevenção e não dá atenção a sinais de que algo está errado na garganta. Alguns dos sintomas podem ser considerados sem importância, mas são estes os que o câncer de laringe apresenta. O tumor, se diagnosticado precocemente, tem 95% de chance de ser curado. Os médicos da ABLV recomendam consultar um especialista freqüentemente.

O cantor Fagner, entusiasmado com a campanha, comentou. “A importância da voz é total na vida e na carreira de qualquer pessoa. Tenho 35 anos de ‘estrada’, e graças a Deus continuo com a minha voz normal, sem nenhum problema”, disse o cantor. Fagner lançou em agosto do ano passado o seu mais recente trabalho, o álbum “Fortaleza”, que conta com a participação de grandes nomes da música como Zeca Baleiro e Jorge Vercilo. Por considerar a relevância que a voz tem para a vida e trabalho de todos é que o cantor arrumou um tempinho no meio de sua turnê para ceder sua imagem à campanha da ABLV.

O cantor aproveitou ainda para deixar suas dicas para o bom uso da voz. “Acho que é importante fazer alguns exercícios para a voz, que é muito importante, e evitar tomar gelado. Mas o principal é dormir bem”, finalizou.

A Campanha Nacional da Voz 2008 tem início no mês de janeiro e se intensificará em abril, por ser o mês em que se comemora o Dia Mundial da Voz. Especialistas da área em todo o país estarão disponíveis para entrevistas.

Para saber mais sobre a Campanha Nacional da Voz, acesse: www.ablv.com.br

Para saber mais sobre o novo trabalho de Fagner, acesse: www.fagner.com.br

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(Diário de S. Paulo – 12/01/2008)


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(Revista Hospitalar – 04/03/2008)

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“Quatro num Quarto” apresenta quadro político-sociológico em contexto de comédia

Postado em 29 de setembro de 2007 no extinto Magazine Cult

“Quatro num Quarto” apresenta quadro político-sociológico em contexto de comédia

por Raquelline Curvelo

Maisqnq1 uma comédia apelativa. É o que pode pensar qualquer um que se depare com o nome da peça. Porém, “Quatro num Quarto”, que vai muito além de uma simples comédia, aborda temas que superam a troca de casais, ou o destino de qualquer relacionamento. Adaptada da original “A Quadratura do Círculo”, de Valentin Kataiev, a peça traz à tona o cotidiano de dois casais vitimados pelos próprios idealismos políticos, num tempo em que tudo se definia por sua adesão ou não ao socialismo ou ao capitalismo.
A peça, desde seu início, marca a mostra das tradições e concepções russas dos tempos do “Comunismo de Guerra”. Ao início, uma leve canção tradicional russa introduz a platéia no contexto da peça. É apresentada a história do mulherengo Vássia e seu atrapalhado e carente amigo Abraão, dois jovens soviéticos que dividiam uma pequena morada e decidem, ao mesmo tempo, se “registrarem” (nome dado ao casamento): Vássia com a burguesa Ludmila e Abraão com a intelectual comunista Tônia. A trama é orientada pelo problema de dividir um quarto entre quatro pessoas, e pelos conflitos entre os casais, que, com a ajuda das situações cotidianas, percebem que uma troca de casais seria a solução perfeita para seus problemas.
Os valores políticos, críticos e ideológicos marcam a peça do início ao fim, desde a divisão dos espaços do pequeno cubículo às refeições moderadas e à infinita fome e falta de recursos, mácula que tanto manchava o “realismo socialista”. Vale umas boas risadas. Mas não seria antiético?

Quatro Num Quartoqnq2
(Baseado na peça “Kvadratura Kruga – A Quadratura do Círculo”)
Elenco: Marisa Costa, Renata Dávila, Rodrigo Cavalheiro, William Maia e Ari Nunes (participação especial)
Direção: Vanice Pedrazzini
Gênero: Comédia
Duração: 80 min.
Temporada: de 14 de setembro de 2007 até 28 de outubro de 2007
Local: Teatro Studio 184 – Praça Roosevelt, 184 – Centro – São Paulo – SP
Preço: de R$7,50 (estudantes) a R$15,00 (inteira)
Nota: 9

Artigo – WordPress: que seja infinito enquanto dure

Escrevi o texto abaixo à pedido da professora Renata Aquino, como atividade nas aulas de Jornal Laboratório. Além de ter o texto por mim mesma publicado no blog da sala (www.unipmarques.wordpress.com) alguns sites também o publicaram. Abaixo o texto, e em seguida alguns links da publicação.

WordPress – Que seja infinito enquanto dure
abril 10, 2008 by raquelline

Mais uma vez a justiça ameaça estender a punição aos culpados e aos inocentes. É que uma decisão judicial estuda a possibilidade de bloquear o acesso brasileiro ao WordPress, portal que fornece serviços de blog. A causa: um blog especificamente, publicou algo que não devia. O blog e a postagem não foram revelados.

O problema é simples: a internet é o meio de comunicação mais aberto que existe. Através dela todos podem expressar-se como bem queiram perante qualquer situação. Porém, esta “liberdade” está começando a mudar. Primeiro, o bloqueio temporário de acesso ao Youtube, site de postagem de vídeos, por conta do vídeo da Daniela Ciccarelli em imagens picantes, na praia, com seu namorado, em janeiro de 2006. Depois a ameaça constante ao Orkut e suas comunidades com temas relacionados à pedofilia. Não há explicação válida ou convincente para o caso. Sobre a situação do WordPress, Eduardo Parajó, presidente da ABRANET (Associação Brasileira dos Provedores de Internet) comenta: “Ordem judicial não se discute, se cumpre. Mas, como não é possível bloquear especificamente o endereço solicitado, o acesso a todos os sites com a extensão wordpress.com será impedido no Brasil”. Isto se dá por que temos o espaço apenas de ‘filiais’ destas grandes empresas, portanto, somente elas é que podem retirar as páginas com conteúdo indevido do ar. A situação se agrava ainda mais com a CPI da Pedofilia e a ameaça de bloquear o acesso ao Orkut no Brasil. Tudo isso porque o Google (segundo o Ministério Público) se recusa a abrir o banco de dados, e divulgar os nomes dos usuários que propagam a pornografia infantil e os crimes sexuais.

No fim das contas, o usuário é que sai prejudicado. Caso a decisão judicial realmente seja a de bloquear o acesso aos sites, milhares de blogs serão apagados. Seus usuários simplesmente perderão todos os seus textos, idéias, comentários… tudo jogado no lixo. E este blog, caros amigos, será mais um a ser apagado. Todo o trabalho de todas as nossas editorias será cruelmente jogado no lixo. Quanta gente trabalhando tanto tempo à toa.

Há quem diga que a censura acabou depois da ditadura. Cruel engano. A censura a cada dia se multiplica. Eis a sua nova face: o bloqueio a idéias via internet. E pra variar, no país do carnaval, ninguém faz nada pra mudar. Como diria Vinícius, “Que seja eterno enquanto dure”, blog UNIP MARQUÊS. E, pelo visto, não vai durar muito.

Colaborou: Gisele Santos

Links:

E-educador

Technorati

Yahoo! Busca Educação

Planeta Tics

Publicado em: on 24 24UTC Março 24UTC 2009 at 17:42 Deixe um comentário
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Entrevista com o jornalista Alisson Ávila

Detalhes da Entrevista: No segundo semestre de 2007, entre os trabalhos propostos para a faculdade estava a criação e edição de uma revista, o que na UNIP é chamado de PIC (Projeto Integrado de Comunicação). Meu grupo escolheu entre os temas propostos o “Sensacionalismo na Imprensa” e começamos a correr para conseguir pautas, matérias, artigos, resenhas e entrevistas. Surgiu a idéia de entrevistar o jornalista Alisson Ávila, que à época acabara de ser demitido pelo Meio e Mensagem por não aceitar alterações em uma matéria sua, que divulgava uma pesquisa. A tal pesquisa mostrava a queda de audiência de alguns programas da Rede Globo, e ao mesmo tempo, o crescimento dos níveis de audiência da Rede Record. No mesmo período, a revista Carta Capital o convidou para o trabalho como free-lancer e deu à sua matéria a capa do periódico.  Estas e outras curiosidades podem ser lidas abaixo, na entrevista feita por mim Raquelline Curvelo, em parceria com Gisele Santos.

Entrevistado: Alisson Ávila
Veículo: Revista Imprensacionalismo (PIC – Unip – 3º Semestre – 08/2007)

ALISSON ÁVILA FALA SOBRE A PROFISSÃO DE JORNALISTA

Alisson Ávila, repórter demitido do jornal Meio e Mensagem por fazer uma matéria sobre a queda de audiência da Globo, fala com exclusividade pra nossa revista sobre a profissão de jornalista, a manipulação da imprensa, dilemas enfrentados dia-a-dia e sensacionalismo. Confira:

por: Raquelline Curvelo e Gisele Santos

R.I – Como você avalia o uso do sensacionalismo na imprensa brasileira?

Alisson
- Isso não é uma questão exclusiva do Brasil, é algo que a gente enxerga em muitos lugares do exterior também, e no Brasil acho que tem uma discussão muito grande a respeito do papel da TV porque ela acabou tendo certa responsabilidade sobre a sociedade, sobre a educação, que em tese não é 100% do papel dela. Por mais que a gente discorde, embora a televisão seja um concessão publica, ela tem as questões dela de abastecer as pessoas com entretenimento, dentro desse processo de entretenimento, o sensacionalismo acaba aparecendo como um elemento importante. Eu acho que tem duas coisas: primeiro essa necessidade de se fazer entretenimento, não significa que a gente tenha que apelar para o sensacionalismo, uma coisa é bastante diferente da outra. Dá para dividir entretenimento de sensacionalismo. E independente disso, as empresas deveriam além de tomar esse tipo de atitude, em minha opinião, investir de verdade em projetos de informação e de formação em horários melhores na grade de tv. Eu acho que televisão não substitui escola nem pai e mãe, mas ela tem realmente um dever social importante, eu acho que daria para encontrar um caminho intermediário entre a necessidade de entretenimento que gera audiência e faturamento com o processo de evitar o sensacionalismo e trazer um pouco mais de informação de modo geral para as pessoas.

R.I – Segundo os dados do Ibope, na grande são Paulo a Globo sofreu uma queda na audiência de 9,5% no chamado horário nobre na comparação de agosto de 2006 com o mesmo período desse ano. Você acredita que as outras emissoras possam ultrapassar essa grande líder que é a Globo?
Alisson –
A matéria que eu fiz para a Carta Capital, que era originalmente para outro veículo, mas foi para a Carta, ela procurou fazer uma análise totalmente técnica da questão, ou seja, eu procurei honrar a palavra reportagem, eu tentei me limitar a reportar para os leitores o que os dados diziam. Eu não tenho nada contra e nem a favor a Globo, e nem da Record e nem contra setor de mídia nenhum. No futuro eu acredito que a competição e principalmente a pluralidade na mídia brasileira vai aumentar, é um caminho natural, porque o Brasil é um país muito grande e importante economicamente no mundo, é natural que com o tempo a gente tenha um amadurecimento do mercado de mídia no Brasil, que hoje continua com as mesmas coisas das antigas, é o que mostra assim a velha característica do nosso país de misturar o futuro com o passado, como poucos países, onde tem um monte de coisas tecnológicas, modernas, e ao mesmo tempo tem mão de obra escrava, trabalho infantil, e concentração da mídia em pouquíssimos grupos. Eu acredito que a tendência natural no futuro é que essa diversidade aumente, se a Globo vai perder ou não, eu não tenho como responder, e eu absolutamente não estou torcendo pra isso, quero deixar isso muito claro, eu não sou a favor nem contra ninguém. Eu tentei me limitar a fazer meu trabalho de repórter que era contar o que os dados estavam dizendo. Se alguém vai ultrapassar depois ou não, é uma outra questão a ser debatida, particularmente eu acho que sim, os números estão indicando que, ainda se tratando de mídia, vai aumentar a diversidade, e aí uma parcela de mercado pode diminuir.

R.I – Baseado no seu texto “Colosso, não mais impávido”, você acredita que essa manipulação pode prejudicar a qualidade da programação, e o que poderia ser feito para em mudança positiva, em relação ao que é exibido hoje em dia?
Alisson
- É muito importante que nós não sejamos ingênuos, mas temos que enxergar que manipulação há em qualquer mídia. Eu não acredito em imparcialidade, o cara do jornal da esquerda vai fazer matérias com abordagem de esquerda e irritando a direita, o cara da direita vai fazer a mesma coisa. O cara que não entra em política, vai falar sobre o que interessa pra ele. Eu não acho que isso seja necessariamente ilegítimo, pode ser questionável eticamente, mas todas as empresas existem baseadas nas suas motivações, o problema é a hipocrisia de não reconhecer que isso existe. Não é dizer que a manipulação tem a ver com isso ou aquilo, a gente tem que acordar pro fato que isso existe em todo lugar, onde a gente trabalha ou em qualquer empresa, não só de mídia. Acho que o grande amadurecimento é quando você reconhece que a sua postura é essa e que ela é assim, eu acho que esse discurso da imparcialidade e objetividade jornalística, pra mim é muito ultrapassado, eu sei que é uma opinião polêmica, o que eu estou querendo dizer é reconhecer as coisas, fazer uma apuração jornalística e ela vai te levar a uma conclusão, você vai tentar ser o mais equilibrado possível, seja pra dentro de ti ou pro jornal que você trabalha, existem questões que vão empurrar a matéria pra essa ou aquela abordagem, então mais do que discutir manipulação devemos discutir a tomada de posição das empresas. É por isso que eu não condeno, mas valorizo o fato do passado recente de o Estadão ter aberto seu voto pra presidente, assim como a Carta Capital também abriu. Acho que todo mundo devia fazer isso, pois assim colabora com a transparência, com a democracia e assim por diante. Eu não acho que exista essa coisa de certo ou errado, todo mundo tem seus motivos, e todos eles são legítimos.

R.I – Falando sobre as universidades, você acha que elas têm oferecido aos alunos recém-formados da área de comunicação social / jornalismo, condições de trabalho para enfrentar esse campo das empresas, concorrência?
Alisson –
Eu acho que existe uma concorrência muito grande no mercado, mas o jornalismo hoje vive um momento muito bom, tem oportunidades, só que a gente tem que oferecer as coisas para as pessoas, nós não podemos ficar esperando que alguém nos procure e nos chame pra fazer uma matéria. Tem que cavar uma sugestão de pauta e oferecer para um editor, esse trabalho como free lancer, assim você monta um portfolio pra mostrar para um lugar e tentar trabalhar de uma maneira fixa, e assim por diante. Eu me formei em 98, pela PUC de Porto Alegre, e muita gente que gostava de jornalismo reclamava da faculdade e nem seguiu carreira de jornalista. Eu acho duas coisas: vida real e mercado de trabalho, não dá pra comparar com faculdade. Eu acho que a faculdade cumpre um papel diferente daquele oferecido pelo mercado de trabalho. E é errado que a gente cobre da universidade essa postura. A faculdade tem a missão de te trazer referências, trazer valores, de estimular reflexão e somar isso a experiência real. No dia-a-dia no mercado de trabalho você tem que juntar as duas coisas. A faculdade também virou uma máquina de dinheiro, é só você sair na rua que vai ver a quantidade de universidades, faculdades se promovendo e se vendendo. Por mais clichê que isso seja, nada substitui a sua dedicação. A faculdade não vai te dar tudo, o emprego não vai te dar tudo, tem que aproveitar a formação que tu teve na família, junta isso com o que a faculdade tem de bom pra te oferecer, e a mesma coisa pro mercado de trabalho, é a junção de tudo que vai formar as coisas. A gente não pode transferir a responsabilidade para a universidade, ela pode ter virado um negócio, mas agora vai ficar quantos anos botando a culpa nela por ter virado um negócio? O jornalismo também virou um negócio.

R.I – Nós soubemos através da Revista Carta Capital, sobre a sua demissão, em razão de você não ter aceitado algumas alterações na sua matéria que foi publicada. Você pode contar como foi que isso aconteceu?
Alisson
- Eu sugeriria pra essa parte você dar uma olhada no blog do Paulo Henrique Amorin, lá tem uma entrevista grande minha com ele, e tem como tirar toda a história dali, as minhas opiniões sobre isso, o que aconteceu. É o blog dele, o Conversa Afiada. Tudo que eu tenho a dizer está ali, porque é um assunto chato, desgastante, e eu decidi que eu não ia transformar isso num bafão. Acesse: *
conversa-afiada.ig.com.br/materias/463001-463500/463341/463341_1.html

R.I – Falando sobre isso, nós tivemos uma palestra na faculdade com o Rodrigo Vianna, que também pediu demissão. Ele deixou a Globo porque não aceitou algumas coisas. Você poderia falar até onde vai o limite do profissional, do jornalista, em aceitar o que o veículo de comunicação impõe, servindo de recomendação aos estudantes de jornalismo?
Alisson
– É difícil, porque chega uma hora que vira uma questão individual. Eu já trabalhei em alguns lugares, fiz curso técnico em Publicidade no segundo grau, e na época adolescente eu estava todo revoltado, porque pra mim Publicidade era o fim do mundo. Aí fui fazer jornalismo e acabei cobrindo a área de mídia e de marketing em dois jornais, então não consegui me livrar disso. Também acabei trabalhando com assessoria de imprensa, mas muitas vezes você sofre, por achar que está se prostituindo, abrindo mão dos seus valores, etc. Eu cheguei num momento que pensei se eu for assim, talvez eu não consiga fazer nada, então eu tenho que pensar que o fato de eu estar fazendo isso não significa que eu estou “abaixando as minhas calças pro meu chefe” ou para o mundo ou para o mercado e sociedade, tem esse dilema. Se eu estou abrindo mão dos meus princípios, da minha integridade, por causa disso ou daquilo, acho que são casos e casos, se você tem essa consciência, pode conseguir lidar com isso sem tanto trauma. No caso do Meio e Mensagem, foi um acumulado de meses, no começo desse ano um dos editores do jornal foi demitido em circunstâncias mais ou menos nebulosas e isso gerou um desconforto na redação, um ruído, um bloqueio de comunicação nosso, dos jornalistas com a editora do jornal. Então a somatória de todas essas coisas com o histórico de relacionamentos naquela empresa e com a discussão em torno dessa matéria nos levou a esse ponto. E eu decidi que não ia mudar a matéria. Eu acho que é muito uma questão de debate, até comentei isso no blog do Paulo Henrique Amorim, a questão das regras estarem claras. A gente não pode ser exigente em qualquer lugar que a gente trabalhe, na nossa casa, com a nossa mãe e nosso pai, tem coisas que dá tem coisas que não dá. Ou então com muita conversa, com muito jeito, você consegue. De repente tu é adolescente e quer ir pra balada, não pode, mas se você conversar chega num consenso. Então muitas vezes a gente passa por isso dentro do jornalismo. Tem que conversar para chegar num consenso ou teu chefe simplesmente vai dizer: “Olha cara não dá para fazer essa matéria, não dá porque a gente vai se ferrar, vai dar problema e todo mundo vai se incomodar”. E aí você tem que ter maturidade para encarar que isso existe em qualquer lugar, aí é uma questão do ambiente de trabalho, depois é uma questão individual, aí tu decide se vai aceitar ou não. Então assim, está na consciência que isso faz parte da vida e que tu vai ter que passar por essa situação mais cedo ou mais tarde. Passando pela idéia de que isso existe em qualquer emprego e tu vai ter que lidar com isso várias vezes, e considerando que às vezes isso fica claro ou não fica claro pra ti, ai você terá que chegar à última instância que é a tua decisão pessoal de decidir o que fazer.

R.I – O Rodrigo Viana também comentou com a gente sobre o impasse de quebrar ou não o contrato com a Globo e falar com a mídia, pois segundo seu advogado, se ele quebrasse o contrato, nem que vendesse todos os bens poderia pagar a multa da rescisão. E também ficou indeciso sobre sair ou não da Globo, não pelo nome, mas pelo poder que eles têm de o ‘queimarem’ e não conseguir emprego depois, tanto que ele só falou realmente sobre o caso quando o contrato acabou. Qual a sua opinião sobre esse dilema?
Alisson
- Eu acho que é uma questão de você acreditar se está sendo correto ou não, é muito individual essa decisão. Porque da matéria da Carta Capital, tinha uma coisa de ‘morra Globo’. Eu não quero que ninguém morra, entendeu? Hoje mesmo, para fazer um outro free lancer, eu liguei para a assessoria da Globo e falei com a mesma assessora que me deu a resposta da matéria da Carta Capital, ela não desligou o telefone na minha cara, ela me atendeu e foi atenciosa de me responder. Eu não estou pedindo para ninguém ser ‘tucano’ digamos, no sentido figurado, mas eu acho que tu pode fazer o que acredita e pode colocar as coisas da sua maneira. Agora tem que ter consciência se jogou, jogou, se perder, perdeu. Tendo essa consciência, o resto tu tem que saber lidar. É um processo de amadurecimento, você está no jogo, às vezes vai, às vezes não vai, aí você escolhe.

R.I – E esse turbilhão de informações para o público, você acha que a imprensa cumpre o papel de informar? Não estão tratanto tudo de maneira superficial?
Alisson
- Eu acho que a gente está vivendo uma era de informação. Então tudo é informação, tudo é mídia e assim por diante. Eu acho que a imprensa tem as suas limitações sim, mas que muitas vezes ela faz um trabalho muito bom. As duas coisas que eu acho mais relevantes pra gente debater no jornalismo é: primeiro, transformar o noticiário em capítulo de novela; a agenda política do Brasil nada mais é hoje que capítulos de novela. É assim quem a política brasileira é coberta. Você não cobre política, cobre Brasília, as intrigas de lá como uma grande novela. Eu acho que isso vai de encontro com o que você está me dizendo que isso tem um profundo “Q” de espetacularização da notícia. Você certamente, na Revista Imprensacionalismo, nesse trabalho que o seu grupo está fazendo, deve ter lido sobre a sociedade do espetáculo. A sociedade do espetáculo é totalmente presente na nossa vida. Essa questão histórica, social e cultural explica, mas não justifica essa postura da imprensa. E se por um lado você noveliza a agenda do dia-a-dia, por outro tu não cita muitos assuntos. Joga uma bomba na capa, publica mais outras matérias, e aquilo é engolido pela próxima notícia. Ninguém vai citar aquilo depois. Vou te dar um exemplo, teve 500 CPI´s nos últimos anos. Alguém lembra do final, como que acabou, onde foi parar? Eu acho muito sem graça a imprensa dizer “este ou aquele deputado que fez não sei o que”, então, porque a imprensa não foi cobrir a trajetória dele desde quando começou a cometer essas barbaridades?

R.I – É isso que eu acho, ninguém se interessa em aprofundar em nada, registra rapidamente o que o cara falou e acabou ali, você não sabe nem quem é. Se bem que é tanta gente..
Alisson
- Tem outra coisa que pesa, é o seguinte, você está na redação do jornal e nem tem muito tempo, você faz essa matéria, depois já faz outra, e faz outra… Não dá tempo de retomar. Estamos muito carentes de reportagem por conta disso, tem que priorizar o volume, então fica sem tempo para pesquisar um assunto.

R.I – E se colocasse mais gente para trabalhar na redação, será que não daria certo?
Alisson
- Daria, é que de repente as pessoas não estão interessadas nisso, é um público específico que não quer ler um texto grande e aprofundado, a maioria só quer o link do site, a matéria curtinha resumindo o que aconteceu, aí nessas você vê o porquê as agências de notícias cresceram tanto nos últimos anos.

R.I – E como você acha que o público poderia se proteger dessa imprensa sensacionalista?
Alisson
- Eu acho que o público não quer se proteger, porque se eles quisessem se proteger busacariam outros meios. Vou te dar um exemplo, compare a Veja, com a Época, com a Isto É, com a Carta Capital. Não estou defendendo ninguém, mas todas elas se propõe a ser revistas semanais, e às vezes elas falam de assuntos completamente diferentes com abordagens completamente diferentes, o que é bacana.

R.I – Inclusive um tempo atrás foi publicada matéria da Carta Capital sobre uma visita que virou reportagem quando alguns alunos, e um deles era jornalista, foram fazer uma visita dentro ao Jornal Nacional e o Willian Bonner tratava o telespectador como o Homer Simpson. A gente até conversou um pouco sobre isso num debate em sala de aula com a professora Daniela Palma, achamos até uma falta de respeito dele com os telespectadores.
Alisson
- Eu acho que ele tem direito sim de dizer o que ele bem entender, mas ser cobrado pelo papel que ele ocupa, e o que a gente tem que dizer não é condenar ele porque ele disse isso, mas se perguntar o porquê de ele dizer isso. Ele é livre para dizer o que quiser, não se pode patrulhar ideologicamente as pessoas.

R.I – Mas justamente na hora que ele ia cortar alguma matéria ele falava “não, isso aqui o Homer não vai entender” então ia para esse lado: o cara não tem QI não tem cultura para entender se colocar isso no ar.
Alisson
- É que não é só isso, ele esta falando com 60 milhões de pessoas na hora do jantar, ele tem que partir de um mínimo, de um denominador comum, se esse denominador é de um nível mais alto ou mais baixo são outros quinhentos, mas ele precisa de um denominador comum… E se esse é um denominador do Bart, da Lisa eu não sei.

R.I – É que no caso ele generalizou…
Alisson
- É que estamos falando de mídia de massa, não é? Não se pode cobrar da mídia de massa um papel segmentado.

Publicado em: on 23 23UTC Março 23UTC 2009 at 15:20 Deixe um comentário
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Dez Razões Pra Ouvir – KT Tunstall

kt

Mês passado eu recebi uma homenagem. Tá, mas o que você, leitor do Dez Razões tem que ver com isto? Simples! A homenagem recebida foi a publicação de uma “imitação” do Dez Razões num blog de música e arte que eu simplesmente adoro, e a adaptação foi escrita por um grande amigo. O “imitação” está entre aspas, porque o cara simplesmente inovou o “Dez Razões” inserindo fotos, vídeos e deixando-o com uma cara maravilhosa. A coluna ficou tão boa que eu resolvi trazer ela pra cá também. Claro, vou dar os meus pitacos, mas boa parte do texto permanece sendo a do meu amigo, ok? E isso tem dois motivos básicos: 01 – O cara realmente conseguiu me convencer, já que eu não ouvia KT Tunstall antes, então, vai convencer vocês também. 02 – A KT Tunstall desembarca no Brasil no próximo dia 15 e fará shows em São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre, então, nada melhor que se aquecer pra esse show lendo um pouquinho sobre a história dessa musa , não é mesmo? Preparados? Dez Razões Pra Ouvir!

1 – Escocesa com sangue Chinês: Nascida na China, Kate Tunstall (ou apenas KT, porque “Kate” pra ela não diz nada mais que “Filha de fazendeiro”) foi adotada por um físico e uma professora escoceses e cresceu na cidade universitária de St. Andrew’s. Ela sempre esteve ciente de que havia sido adotada ao nascer, pois seus pais sempre lhe disseram isto. Uma frase marcante da cantora sobre o assunto é “Cresci ciente de que poderia ter tido um milhão de vidas diferentes. Isso torna sua vida misteriosa e sua imaginação pira”. Pois é KT, a poesia já estava dentro de você.

2 – A paixão pela música: O pai adotivo de KT costumava levá-la junto com seus irmãos para o laboratório. Música nunca foi na realidade parte da equação até seu irmão mais velho descobrir os prazeres do “hair metal”. “Eu sentava do lado de fora do quarto dele e gravava as músicas pela porta” diz KT.  Logo cedo, começou a tocar flauta e aos 16 anos passou a se dedicar à guitarra, cantando e ouvindo Ella Fitzgerald. A paixão pela música se explicaria quando a cantora chegasse aos seus 20 anos, que foi a idade em que ela conheceu sua mãe biológica e descobriu que seu pai era um músico folk. É, está no sangue, não tem pra onde correr mesmo!

3 – Primeira banda: Depois de algum tempo, a necessidade de KT em cantar era quase insaciável. Ela precisava fazer isto. Formou sua primeira banda, a “Happy  Campers” e participou de um concurso de música London’s Royal Holloway College. Voltou para a Escócia e começou a trabalhar composições para seu primeiro álbum. A cantora disse em várias entrevistas que escrevia desde a adolescência, mas na época, “Só conseguia criar tolices fora de moda de amor. Era um completo vômito de paixão adolescente. Mas eu achava que tava arrasando”. Quem é que já não passou por essa sensação no mundo da música?

4 – Primeiro álbum: Enfim, em 2004, KT passou a escrever projetos com o compositor e produtor sueco Martin Terefe e o londrino Tommy D. Com mais de cem músicas em seu bolso, ela começou a trabalhar em seu álbum de estréia com sua nova banda e o lendário produtor do U2/New Order/Happy Mondays, Steve Osborne no leme. “Eye to Telescope”, um trabalho cheio de imaginação e criatividade, foi lançado. Sobre o nome, a cantora diz que se deve a seu pai adotivo. “Eu gostava muito de livros de ficção científica quando garota. Meu pai costumava levar meus irmãos e eu para seu laboratório quando éramos pequenos. Fazíamos brincadeiras com nitrogênio líquido e geradores Van de Graaff. Ele tinha as chaves para o observatório da St. Andrew’s University e chegou a nos acordar no meio da noite para mostrar o cometa Halley. Isso é parte do porquê o disco se chama “Eye To The Telescope”. Desde álbum, “Black Horse & the Cherry Tree” e “Sunddely I See” rodaram o mundo, sendo esta última trilha do filme “O Diabo Veste Prada”.

5 – Multi-instrumentista: A jovem e ativa KT teve aulas de piano e flauta, e gradualmente sua voz desenvolveu sua individualidade. “Estou muito certa de que aprendi a cantar porque alguém me deu uma fita de Ella Fitzgerald – ela foi minha professora de canto”. Aos 16, pegou uma guitarra e aprendeu a tocar de forma autodidata através de um livro. Espertinha não?

6 – Apresentações solo: A paixão por música de KT não se estaciona em cima do palco. A cantora gosta de tocar sozinha, e já foi vista diversas vezes no palco, só com seu violão e pedais, surpreendendo o público com sua criatividade. Sem contar a sua alegria e vivacidade cantando em lugares públicos, como praças, campos e outros. Não tem hora marcada pra fazer música. Apaixonante!

7 – Salve o Futuro: A cantora se dedica ao Projeto “Global Cool”, que é uma campanha que o principal objetivo é inspirar bilhões de pessoas a pensar na conservação do planeta que vivemos. Existe até uma página sobre o projeto em seu site oficial. Super legal não?

8 – Drastic Fantastic: Em 2007, o segundo álbum de KT chegou ao mundo já estourando. “Drastic Fantastic” trás músicas maravilhosas, sem fugir do pop/folk que a cantora faz, com uma pitada de rock com riffs fortíssimos de guitarra e o poder vocal de KT cada vez mais apurado. Destaques especiais para o single “Hold On”, a forte “Little Flavours” e a linda “Hopelles” que conquista à primeira audição. É fantástico.

9 – Prêmios: É claro que uma cantora tão talentosa e tão especial merece o reconhecimento geral não é? KT já faturou “Q Music Awards” de 2005 de melhor música para “Black Horse and the Cherry Tree”, o Brit Awards 2006 como “melhor cantora solo inglesa”, o prêmio Ivor Novello Awards 2006 de melhor música e melhor composição para “Sunddely I See”. Fora isto temos os discos de Platina para “Eye to the Telescope” nos EUA, Canadá, Irlanda, Cingapura e Nova Zelândia, tendo atingido 1,1 milhão de unidades, além do Duplo Ouro na França. Premiada, reconhecida e talentosa, KT não pára de surpreender.

10 – Visita ao Brasil: É isso mesmo! Está chegando! No dia 15 de outubro já tem show na Via Funchal em São Paulo; dia 16, no Canecão no Rio de Janeiro e dia 19 no Bar Opinião em Porto Alegre. Então, você não tem desculpa pra perder este espetáculo, não é mesmo?

E aí, convencido? Abaixo, alguns links para saber mais sobre a história da KT.

http://www.kttunstall.com/ (site Oficial)

http://www.kttunstallbr.rg3.net/ (Fã-Site Brasileiro)

http://www.myspace.com/kttunstall (My Space da Cantora)

Não deixe de passar na comunidade “Dez Razões Pra Ouvir” (http://www.orkut.com.br/Main#Community.aspx?cmm=62993669)  e dizer o que achou ok?

Ah, e se você quiser ler este Dez Razões, na versão do meu amigo, o super Thiago Mello, é só acessar o blog dele!

http://etracisum.wordpress.com

Beijãos da Rakky!

Publicado em: on 5 05UTC Março 05UTC 2009 at 15:34 Comentários (1)
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Dez Razões pra Ouvir – 30 Seconds To Mars

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Sabe aquela banda que gravou uma musiquinha linda demais em formato acústico, com a participação da Pitty? Isso, aquela que tá rolando de 5 em 5 minutos nas rádios ‘pop-puts-puts-rock’ da vida? Pois é, o 30 Seconds to Mars, apesar de ter apenas dois álbuns lançados já acumula quase 10 anos de carreira. Quer saber do que mais? Dez Razões Pra Ouvir.

01 – Família: Cada vez mais o rock mostra que ter o mesmo sangue faz bem a uma banda. Diversas bandas, tais como o Oasis, Paramore, AC/DC, My Chemical Romance (já citados aqui no Dez Razões) e Radiohead. O 30 Seconds não foge à regra. Criada pelos irmãos Jared (vocal, guitarra e programing) e Shannon Leto (bateria) em 1999, a banda tem atualmente o baixo de Tomo Milicevic, que foi convidado para entrar na banda quando Matt Wachter saiu, e que já era fã dos 30 seconds. A banda também já contou com a guitarra ritmica de Solon Bixler.

02 – Estamos a 30 segundos de marte?: Pensar neste nome para uma banda só poderia trazer no mínimo uma curiosidade interessante. Jared e cia. dizem que o nome da banda saiu de uma tese de Harvard, que fala sobre o crescimento exponencial da tecnologia e da dificuldade de reter as milhares de informações que nos são passadas por segundo. O nome definiria a música da banda, de forma básica e direta. Para Jared, o nome “É uma frase lírica, sugestiva, cinemática, e muito imediata. Tem um senso de distinção. O conceito de espaço é tão irresistível e abrangente, eu duvido que exista uma musica escrita que não seja relacionada a ele”. No mínimo profundo não?

03 – Rápido e intenso: É assim que se pode definir o som da banda. Um rock progressivo, alternativo, de dimensões profundas e impactantes. Mas para começar a tocar a banda, que iniciou seus trabalhos em 1999 demorou um pouco para aparecer. Apenas em 2002 foi que o álbum “30 Seconds to Mars” foi lançado. O álbum foi inteiramente produzido pelos irmãos Leto e os singles “Capricorn (A Brand New Name) e “Edge Of The Earth”, primeira e segunda faixas do álbum respectivamente. As faixas deste álbum falam mais da preocupação de Jared com seu próprio mundo. Sombrio, confuso e por vezes, assustador.

04 – Um clube de fãs: Sim, têm um clube para os seus fãs. É o Echelon, um grupo de “Street team” formado para promover a banda. A palavra Echelon significa “formação de tropas” ou “ataque de ondas”, e é um termo militar, também utilizado por Napoleão nas grandes guerras napoleônicas. Echelon é também o nome de uma das músicas do primeiro álbum da banda, que trás na letra momentos de amor e de ira como nos versos: “Again and again and again and again / I see your face in everything” e “What’s with this circumstantial consequence? (consequence) / Find oversight before this night will ever rise again” num som que mescla guitarras pesadas e momentos onde a voz do vocalista domina toda a música. Outro grupo de fãs/ divulgadores da banda é o “The MARS army”.

05 – Símbolos e mistérios: A logomarca da banda é formada por um conjunto de símbolos e o significado deles jamais foi revelado por nenhum dos membros da banda. Algumas suspeitas dizem que os símbolos representam o nome da banda, escrito em hieróglifos. O primeiro símbolo seria um 3 ao contrário, representando o 30, o segundo, um círculo apontando para o sentido contrário do relógio, representando os segundos, o terceiro símbolo parece mostrar um 2 em romanos, também invertido, (no inglês de “two” para “to” que têm o mesmo som) e o 4º símbolo seria o desenho de marte, onde os dois pontos representam as duas luas do planeta, Phobos e Deimos. Mas não é só a logomarca que tem suas simbologias e mistérios. A guitarra de Jared foi desenhada por ele mesmo e é um modelo customizado feito por McSwains Guitars. Tem o desenho de um Grypho (um leão com cabeça de pássaro e asas).

06 – Ator no palco e fora dele: Além de ser performático em suas apresentações com o 30 Seconds, Jared Leto tem uma carreira de ator anterior à carreira da banda. Ele já atuou em mais de 15 aclamados filmes, como Réquiem Para Um Sonho, Clube da Luta, Alexander, por exemplo. A carreira de ator fez com que o lançamento do álbum “A Beautiful Lie” fosse adiado por quase dois anos, mas não é considerada um problema para nenhum dos membros da banda. Maravilhoso no palco e fora dele, o nosso Jared não?

07 – 40 músicas e uma turnê: Pois é, foi durante uma turnê que a banda fez pela África do Sul em agosto de 2005 que Jared escreveu 40 canções para compor o novo álbum do 30 Seconds. O álbum, que foi gravado em 5 países diferentes, trouxe para os fãs apenas 12 destas canções, mas elas são muito mais profundas que as canções do primeiro álbum. O amadurecimento é visto em cada uma das canções do álbum, que falam de dor, paixão, alegria, amor, honestidade e brutalidade também. É uma saída do próprio mundo.

08 – The Kill: Não dava pra deixar esta música de fora. Se ela é uma razão para você ouvir 30 Seconds To Mars não é apenas pela profundidade de sentimentos que expressa, nem pela perfeita conexão que a melodia, o ritmo, e o instrumental fazem com a voz de Jared. Ela levou a banda a ser nomeada para o Video Music Awards, ganhou o MTV2 Awards, ganhou o Fuse Chainsaw Awards como clipe inspirado em filme (o clipe foi inspirado no longa “O Iluminado”) e deu a Jared o prêmio de “Príncipe das Trevas” por sua atuação no clipe, onde ele concorreu com Gerard Way do My Chemical Romance. Além disto, a versão acústica da música ganhou a participação especial da cantora Pitty e apesar de perder a agressividade da melodia inicial, não deixou o encantamento da letra se perder. Os prêmios de “Revelação do Ano” e “Melhor Single” também foram faturados pela banda graças à “The Kill” e boa parte dos fãs atuais da banda começou a escutar a banda graças a este som. Sim, uma música tem o poder de fazer uma banda aparecer.

09 – Show no Brasil: Terras tupiniquins já receberam o 30STM. foi em 21 de outubro de 2007, no antigo Tom Brasil. A apresentação, apesar de não ter muita divulgação na mídia, encheu o Tom Brasil e foi bem vista pela crítica, que elogiou o espetáculo e o poder que o 30 Seconds mostrou naquela noite, enchendo uma casa como o Tom Brasil mesmo sem alarde. Show a parte foi a performance dos irmãos Leto em seus instrumentos sintetizados e toda a infra que ambientou a casa de shows.Impressionaram!

10 – Preparativos para o terceiro álbum: Preparem-se! O terceiro álbum do 30STM está por vir. Sim, o boato existe e ganhou mais força quando a revista Kerrang, de janeiro deste ano, publicou uma nota contando o caso. Nada foi confirmado ainda pela banda, mas há muitos fãs esperando.

Sim, agora você quer mais informações não é? A comunidade brasileira da banda no Orkut conta com espaço para discussão onde vários fãs debatem tudo o que você possa querer saber sobre o 30STM, além de ter sido importante fonte de informação desse Dez Razões. Eles estão no My Space também (www.myspace.com/thirtysecondstomars). Outras informações podem ser vistas no site oficial (www.thirtysecondstomars.com).

(29/08/2008)

Dez Razões pra Ouvir – Coldplay

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Quem ainda não ouviu o fantástico “Viva la Vida” ou ao menos soube da existência do novo do Coldplay precisa se atualizar melhor no mundo da música. Mas quem ainda não ouviu falar em Chris Martin e Cia. está mesmo precisando rever os seus conceitos. Fato é: os quatro universitários que formam o Coldplay, Chris Martin (vocal / guitarra / piano), Jon Buckland (guitarra solo / vocais de apoio), Guy Berryman (baixo / vocais de apoio) e Will Champion (bateria / vocais de apoio) cada um no seu estilo e com suas influências formam uma das melhores bandas inglesas da atualidade. Banda de cabeceira da Rakky, esses quatro meninos com certeza nos dão muito mais que Dez Razões Pra Ouvir. Mas vamos lá porque se eu não conseguir te convencer com Dez, ninguém mais vai conseguir.

1. Igual mas diferente: Que banda de rock não começa bem de baixo? Se você responde a esta pergunta com “Nenhuma, afinal, todas as bandas boas que eu conheço já foram bem pequenas”. Pois é, iguais a todas as outras, os quatro garotos do Coldplay começaram bem de baixo. Eles se conheceram na faculdade, pra ser mais precisa na University College London, em 1996. Chris sempre quis formar uma banda e já havia participado de outros projetos, mas quando conheceu Buckland esse projeto começou a se firmar melhor em sua mente. Tempos mais tarde, os dois conheceram Berryman e começaram a fazer alguns shows. Os três formavam o “Pectoralz”, que depois viria a ser o “Startfish”. O último a entrar na banda foi o baterista Champion, e é esta a formação que permanece até hoje. Dois anos se passaram (de 96 a 98 ) para que o Coldplay finalmente nascesse.

2. EP´s e Parachutes: Depois de ter a formação completa, os ingleses do Coldplay começaram a trabalhar em suas primeiras músicas e lançaram, em 1999, o EP Safety. Por falta de recursos, os garotos lançaram apenas 500 cópias desse trabalho, mas depois de distribuídas entre amigos, familiares e gravadora, acabaram se transformando em apenas 50. O primeiro single da banda “Brothers & Sisters EP” foi lançado logo em seguida pela gravadora Fierce Panda que se interessou pelo trabalho dos garotos. Outro EP lançado na época foi “The Blue Room”, dessa vez pela Parlophone, e teve tiragem de 5000 cópias, um avanço considerável. Graças a estes trabalhos, o Coldplay começou a tocar em vários festivais de música e em 2000 lançou o álbum “Parachutes”, que tinha uma venda esperada de 40 mil Cd´s. De julho a dezembro daquele ano, o álbum vendeu mais que 1 milhão e 600 mil cópias só na Grã-Bretanha e as músicas “Yellow” e “Trouble” ganharam o gosto das rádios de toda a Europa. Rápido e impactante, o som do Coldplay ganhava cada vez mais admiradores.

3. Um Multi-instrumentista: O Coldplay tem além de Chris Martin, o garoto das guitarras, vocal e piano, um multi-instrumentista. Este é Will Champion, baterista da banda, que aprendeu a tocar bateria apenas para integrar o Coldplay. Will sempre teve o apoio da família para se dedicar à música e tocava desde pequeno violão, baixo, piano e até flauta irlandesa. A dedicação à música o levou a desenvolver grande talento vocal, exibido também nos vocais de apoio do Coldplay. Para não desmerecer ninguém, preciso também dizer que Jon Buckland antes de entrar para a banda e até hoje, sofre grande influência de Eric Clapton e Jimi Hendrix, os melhores do mundo para ele e que Guy Berryman, antes do Coldplay, participava do Time Out e fazia Engenharia, por influência paterna. Depois de conhecer os garotos do Coldplay e entrar para a banda, ele mudou para arquitetura, e depois, definitivamente largou a faculdade para se dedicar à banda, tendo sido o único a fazer isto. Outra curiosidade em relação a Guy é que ele apesar de ser canhoto, toca o seu baixo de maneira destra.

4. A mais explícita declaração de amor: Não dá pra falar de Coldplay sem dedicar um tópico especial à melhor música dos últimos tempos, em minha humilde opinião, Yellow. A canção exibe sentimento em cada uma de suas palavras e em versos como “Do you know? For you I’d bleed myself dry” e “Your skin, oh yeah, your skin and bones, Turn into something beautiful”.  A suavidade instrumental que acompanha toda a música e o emocionante final:  “Is true… look how they shine for you….  look how they shine for you… look how they shine for…” misturam a doçura da voz e a agressividade de guitarras, num misto perfeito. A canção ajudou o álbum Parachutes a ganhar prêmios como o Brit Awards, o New Musical Express e um Grammy, como Melhor Álbum Alternativo! Conhecer Coldplay e não conhecer “Yellow” é quase um pecado capital.

5. Apoio a causas políticas: O lançamento do álbum “A Rush of Blood to The Head” também marcou o inicio das ações de apoio do Coldplay a causas políticas. Os garotos passaram a advogar pela campanha “Make Trade Fair” da Oxfam e pela Anistia Internacional entre outras. Participaram depois de projetos de caridade como o famoso “Live 8″ e o “Teenage Câncer Trust”. O álbum tem em seu encarte indicações para sites de entidades assistencialistas como o “Green Peace”, o “Future Forest” e o “Planet Save”, entre outros. “A Rush of Blood to The Head” também marcou o terceiro ano da carreira de uma banda que já tinha diversos hits e trilhava um caminho maravilhoso perante o público e a mídia. Não foi a toa que o álbum ganhou dois prêmios Grammy seguidamente, em 2003 e 2004. Toda essa energia positiva já lhes dava gás para viajar o mundo em uma turnê. E foi isso o que eles fizeram, para a alegria de todos, inclusive nossa!

6. Brasil, Brasil: Sim, sim, sim, eles já estiveram duas vezes por nossas terras. A primeira foi na turnê do “A Rush…” como acabei de citar. Esta turnê foi de julho de 2002 a setembro de 2003 e a partir dela também houve a gravação do primeiro DVD da banda, nomeado simplesmente “Live 2003″ e gravado em Sydney, Austrália. A segunda passagem da banda pelo país foi em 2007, com o comportado “X & Y”, e o veto de Chris à venda de bebidas alcoólicas durante os shows, o que deixou alguns cervejeiros de plantão revoltados. Mas nada tirava o brilho do Coldplay no palco e as apresentações em São Paulo reuniram milhares de fãs cada vez mais encantados pela performance dos quatro ingleses.

7. O yin yang misterioso do Coldplay: Acertou aquele que imaginou o “X&Y” como a minha próxima razão para ouvir Coldplay. O álbum, lançado em 2005 significa para Chris Martin uma analogia entre os pontos altos e baixos da vida e de seu dia a dia. Em entrevista a uma revista americana, Martin disse: “É um jeito mais legal de se dizer ying e yang. Todo o meu dia é uma mistura de otimismo e pessimismo em suas formas mais extremas. E é isso o que ‘X & Y’ significa para mim. São dois lados. Eu gosto do fato de essas letras serem tão fortes, tão claras, linhas muito duras. Fica ótimo quando você escreve. E fica ótimo quando você vê a arte do disco. É demais. Eu posso dizer isso porque fui eu que fiz”. E é assim mesmo. Basta ouvir o single “Speed of Sound” ou a romântica “A Message”, que não apareceu nas rádios, para saber que Chris estava certo em sua definição. Prova da competência mostrada neste novo trabalho foi o número de vendas da primeira semana após o lançamento. Na Inglaterra, o álbum chegou a vender 464.471 cópias, ficando em segundo lugar no ranking da UK Álbum Chart, atrás apenas do Oásis. Esse sucesso também notado nos EUA com 737.000 cópias também na primeira semana após o lançamento. Outro dos mistérios envolvidos no álbum é a capa do CD, uma mistura de desenhos geométricos que os caras do Coldplay revelaram mais tarde ser uma mensagem conforme o Código Baudot, que foi uma das primeiras ferramentas telegráficas do mundo. A linguagem utilizada foi criada por Emile Baudot em 1874 e substituída pelo Código Morse em meados do século XX. No encarte do álbum há a linguagem completa de Baudot e utilizando-se dela os fãs podem decodificar as duas mensagens ocultas que o CD trás, na capa e na contracapa. Agora me diz que fã é que não vai querer comprar o CD original só pra decifrar a mensagem?

8. Proteção autoral: Ainda que tendo conquistado todo o sucesso que o Coldplay já demonstrou, os garotos ainda protegem demasiadamente seus sons do mau uso midiático. Eles permitem o uso de canções em campanhas, televisão e cinema, buscando sempre priorizar propostas de cunho social ou educativo, mas são extremamente inflexíveis quanto a propagandas publicitárias. Isto se deve a dificuldade que os quatro teriam em “vender” o significado de seu trabalho. Nas palavras de Martin: “Nós não conseguiríamos viver com isto. Seria como se vendêssemos o significado de uma música”. Assim, já recusaram contratos milionários de marcas como Gatorade, The Gap e Diet Coke para as músicas “Yellow, “Don´t Panic” e “Trouble” mas cederam “Clocks” para o trailer do filme “Peter Pan”.

9.  Viva la Vida: O nome completo do álbum é “Viva La Vida Or Death And All His Friends” e foi inspirado por dois momentos específicos: a visão de um dos quadros de Frida Kahlo, famosa pintora mexicana, conhecida por pintar temas relacionados à cultra e folclore de seu povo, pela ousadia da obra, além de é claro, a turnê do Coldplay pela América do Sul, o que faz o nome “Viva la Vida” ser mais utilizado. Passeando por igrejas góticas de Barcelona é que o Coldplay encontrou a vocalização necessária para a utilização neste novo trabalho. O primeiro single “Violet Hill” já ganhou duas versões em vídeo, e a segunda mostra chefes de estado e políticos como George W. Bush, Tony Blair, Barack Obama, Fidel Castro e Hillary Clinton dançando ao som da música.

10. Dowloads e Internet: O Coldplay também descobriu a Internet. Tanto é que o som “Violet Hill”, do novo álbum “Vila la Vida” foi disponibilizado para download no site oficial da banda e baixado por mais de 600 mil pessoas. Antes disso, os garotos foram eleitos como “a banda mais popular da Web” pela BBC, em uma pesquisa com um software que analisava sites de relacionamento e discussão musical como a “Last FM”, o “Youtube”, o “iTunes” e o “MySpace”. E por falar em MySpace, os fãs de Coldplay que quiserem conhecer um pouquinho do novo álbum, bem como ouvir diversas músicas da banda diretamente na Internet, pode buscá-los no site e logo os encontrará.

Enfim, o Coldplay mostra competência, profissionalismo e qualidade em cada uma de suas aparições. Espero ter mostrado mais uma vez  boas razões para incluir uma banda na playlist do seu PC, entre suas bandas favoritas, ou na lista de bandas que você carregará em seu Ipod.

Alguns links relacionados ao Coldplay:
http://www.coldplay.com
http://www.coldplay.uk
http://www.myspace.com/coldplay
http://www.lastfm.pt/music/coldplay

Antes de encerrar a Dez Razões Pra Ouvir, quero agradecer todos os e-mails, comentários e até correções que tenho recebido de alguns tópicos citados aqui na coluna. Infelizmente não poderei fazer alterações nos textos já publicados, mas criei uma comunidade no ORKUT para a coluna e gostaria de ver lá comentários, sugestões de novas bandas para abordar aqui e contar com a participação de todos os leitores, para conhecê-los melhor.

Abraços a todos!

(28/07/2008 )

Dez Razões pra Ouvir – Clã

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Imagine o Pato Fú. Certo, agora adicione algumas melodias mais pop, um pouquinho de vocal masculino em uma minoria de músicas, e um sotaque português. Pronto, eis o Clã. A banda que nasceu em Porto, Portugal nos mesmos anos noventa que trouxeram ao Brasil os mineirinhos do Pato Fú, junto a “Revolução Mineira” que invadiu as nossas terras, tem um pouco mais de história pra contar do que você pode imaginar. Dê um pontapé nas bandinhas padrão dos EUA e vamos juntos viajar a Portugal! Dez razões pra ouvir!

01 – Começo corajoso e demorado: Os Clã (como costumam se chamar) são a banda de Manuela Azevedo (vocal), Fernando e Hélder Gonçalves (baixo picolo / voz e bateria respectivamente), Miguel Ferreira (teclado / voz) e os Pedro´s Biscaia e Rito (baixo e teclados respectivamente) e nasceram em novembro 1992, num começo inusitado. O foco principal da banda eram as apresentações ao vivo, que trouxeram a banda o agrado do pequeno público que se aglomerava em suas apresentações, que começaram a ganhar fama em 1994. Somente em 95 eles assinaram contrato com a EMI e em 1996, quatro anos depois do começo da banda, é que foi lançado o primeiro álbum o “LusoQualquerCoisa”.

02 – Covers sempre ajudam: Pois é, o “LusoQualquerCoisa” trouxe uma pequena amostra da ousadia daqueles portugueses. O cover de “Give Peace a Chance” de John Lennon, cantado pela voz melodiosa de Manuela encantou o público, assim como o também cover “Donna Lee” do saxofonista Charlie Parker. O engraçado é que os covers dos famosos não tiraram o brilhantismo dos primeiros singles do Clã, “Pois É” e “Azar”, onde são misturados os sons de metais como o saxofone às vocalizações de Fernando e Manuela, para “dançar na pista até tombar”, como já diria a letra. Além destes, houve também o “I´m Free” de Mick Jagger e Keith Richards no segundo álbum da banda, o “Kazzo”, gravado em três semanas do conturbado (para a banda) ano de 1997. Um Clã corajoso e cheio de boa música pra mostrar saía de Portugal para o mundo.

03 – Premiações e reconhecimento: Banda Revelação, Melhor banda, Melhor canção e Melhor vocal feminino. Tudo isto num intervalo de menos de um ano, pelo Prêmio Blitz de 96 e 97. A melhor música, na opinião dos jurados foi “Problema de Expressão” do álbum “Kazzo” e Manuela, além de ter faturado o Prêmio Blitz, levou também o prêmio de “Voz Feminina Nacional” daquele ano. Depois deste festival, em 2001 “O Sopro do Coração” levou o Globo de Ouro como melhor canção e o álbum “Lustro” de 2001 voltou a levar os Clã para o Prêmio Blitz, novamente como melhor álbum. Não dá pra dizer que o Clã português não é premiado, não é mesmo?

04 – Portugueses de Portugal em terras tupiniquins: Eles já estiveram no Brasil e você não estava lá! Isto mesmo, eu também não estava, infelizmente, mas foi em 1997, na turnê do álbum “Kazzo”, onde eles percorreram toda a terra dos colonizadores, além de ir até Macau também. Aqui, a banda mostrou os já sucessos em Portugal “GTI (Gentle, Tall & Intelligent)”, “Problema de Expressão” e “Sem Freio”, alem da engraçada “Concurso do Método” e todos os principais sons da banda. Uma segunda passagem da banda pelo Brasil foi em 2006, já preparando o álbum “Cintura”. A banda fez uma versão de “Tortura de Amor” do brasileiro Waldick Soriano para a compilação “Eu Não Sou Cachorro Mesmo”.

05 – Homenagem aos Eternos: Foi em 2001. Além da turnê de lançamento do álbum de inéditas “Lustro”, lançado em 2000 e do qual destaco o som “O Sopro do Coração” que merece no mínimo umas 50 audições por sua melodia envolvente e sua letra mais que perfeita, os Clã participaram do espetáculo “Come Together” em homenagem aos quatro eternos garotos de Liverpool, os Beatles. Ao invés de cantar a esperada “Give Peace a Chance”, os Clã surpreenderam (pra variar) com versões maravilhosas de “A Hard Days Night, “Lucy in the Sky With Diamonds” e “Everybody’s Got Something to Hide”. A homenagem rendeu bastante popularidade a banda, e trouxe um novo público a escutá-los também.

06 – Um espetáculo à parte: Foi o “Afinidades”, que inicialmente seria um projeto como iniciativa da “Expo ‘98″, desafiando vocalistas portuguesas para montarem um espetáculo para o qual deveriam apresentar um convidado. Manuela Azevedo chamou Sérgio Godinho, e o espetáculo montado mostrou novas versões das músicas do Clã e de Sérgio, com diversos convidados. O espetáculo foi tão bem aceito que resultou em 2002 no lançamento do álbum de nome homônimo, que reunia os principais sucessos em versões exclusivas. O álbum também foi uma homenagem a Sérgio Godinho, que naquele ano completava 25 anos de carreira.

07 – Filme: Bombando por todos os lados das terras portuguesas, o Clã foi convidado para encenar o seu primeiro filme, uma reflexão musical do clássico de Murnau “”Nosferatu – Uma Sinfonia de Horrores”. A iniciativa da “Odisséia de Imagens” da Porto contou com a participação da  banda que  acompanhou ao vivo com suas músicas, toda a encenação,  numa leitura musical à la Clã.

08 – Livro:  Para quem já havia encenado um filme, um livro já estava mais do que na lista dos novos objetivos dos Clã.  A parceria decisiva do jornalista português Nuno Galopim fez este projeto ganhar corpo em 2006. Com o nome de “Curioso Clã” o trabalho trazia texto do jornalista com detalhes da carreira do Clã, alem de letras de diversas músicas da banda.

09 – Parceria com os colonizados: Nada faria mais sentido do que isto: juntar-se aos habitantes da colônia para agradar colonizadores e colonos! E assim o Clã fez, em parceria com Arnaldo Antunes, que é para os Clã “um poeta, é um escritor e um músico que nós admiramos já há muito tempo” e escreveu para eles “H2omem”, “Eu ninguém” e “Vamos esta noite” e é claro, com o Pato Fú, que convidou Manuela para gravar o som “Boa noite Brasil” do álbum  Toda Cura Para Todo Mal e participou do álbum dos Clã, Cintura, lançado em 2007, no som “Amuo”. A parceria com a banda mineira fez tanto bem para ambas as bandas que até hoje uma e outra sempre se indicam para duos com as vocalistas Fernanda Takai e Manuela Azevedo. A ultima dessas indicações foi para a participação do Pato Fú, tocando ao vivo com o Clã no palco Sunset do Rock n Rio Lisboa, do ultimo dia 06 de junho. Sucesso absoluto para portugueses e brasileiros!

10 – Tira a Teima: Este foi o nome do single lançado em 2007, no espetacular “Cintura” sétimo álbum da banda. O single, que teve colaboração de Paulo Furtado, acompanha várias outras músicas que podem sem sobra de duvida agradar qualquer ouvinte atento. Além da já citada “Amuo”, o álbum traz “Fábrica de Amores” com teclados concentrados em gritar, junto a Manuela o seu sonoro”Tenho o paraíso em mim” e “Pequena Morte”, baladinha romântica para quem é capaz de morrer e ressuscitar por um novo amor.

Enfim, é isto. O Clã português espera por cada um de vocês, com suas melodias bem escolhidas, seu som diferenciado e sua fuga as padronizações. Para saber um pouquinho mais sobre estes portugueses maravilhosos, basta clicar em um dos links abaixo e se divertir. E claro, se você conhece alguma banda que merece um “Dez Razoes Pra Ouvir”, manda um e-mail pra mim {raquellinem@gmail.com} que eu estou esperando por sua indicação!

Beijos da Rakky!

http://www.cla.pt
www.clan-blog.blogspot.com
www.radiocla.blogspot.com
www.myspace.com/clamusic
www.myspace.com/clafanpage

(26/06/2008 )

Dez Razões pra Ouvir – Mallu Magalhães

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Ela é a mais nova sensação do rock nacional. Tem apenas 15 aninhos, várias composições próprias, toca e canta e é quase tudo em inglês. Nunca ouviu falar dela? Quer saber mais sobre a vida e obra da pequena? Dez Razões pra Ouvir!

01 – Começando cedo – Pois é. Ter 15 anos e já ser reconhecida em todo o país não é mole. Pra isso, Maria Luisa de Arruda Botelho Pereira de Magalhães, ou só Mallu Magalhães, teve que começar bem cedo. Ganhou seu primeiro violão aos 8 anos de idade e daí pra frente começou a tentar imitar os movimento do seu maior exemplo na vida…

02- Inspiração paterna – Claro! Papai é tudo! Foi ao som de “Leãozinho” de Caetano Veloso que a paixão musical da garota surgiu. Logo entrou nas aulas de flauta do colégio, indicadas pelo pai, coisa que ela odiava. Ela não conseguia entender e acompanhar as bolinhas pintadas nas partituras. Ela preferia tocar do seu próprio jeito, por isso, desde cedo resolveu ser autodidata. E conseguiu se sair muito bem.

03 – Influências – A menina é muito mais avançada do que parece. Já disse em várias entrevistas que “nasceu na época errada” e que “queria tocar com os Mutantes”. Pois é, Mallu tem o Tropicalismo como uma de suas influências, curte Bossa Nova, João Gilberto, Caetano Veloso, Cazuza, Los Hermanos, Rita Lee, Elis Regina e Vanguard. De fora do país, a garota cita Dylan, Elvis, Chuck Berry, Johnny Cash e a “melodia mediocre” dos Beatles. Calma, ela ama os meninos de Liverpool. Só os define assim porque ama a simplicidade que encontra neles, e acredita muito neste tipo de melodia. Lindinha né?

04 – Estilo Próprio – Quando alguém lhe pergunta que tipo de som ela faz, ela responde sem pestanejar: “Folkabilly” ou “Folk´n´Roll”. Não, você não leu errado, é assim que ela mesma define o som que faz. É que ela não quis se limitar a escolher um estilo musical para se definir, e correr o risco de não poder tocar algo que gosta, por não se enquadrar no estilo que ela adotou. E é essa “liberdade” como ela mesma chama, que lhe faz criar o próprio som, tal como o próprio estilo.

05 – É puro feeling! – Nada de suas músicas tem inspiração auxiliada pela teoria musical que aprendeu nas aulas de violão que começou aos 11 anos. Ela também não imita algo ou alguém. Ela sente, cria e toca. A teoria só a ajudou a aprender a tocar de ouvido, mas o resto, “sai tudo naturalmente”.

06 – Compondo em inglês – Ela não domina o idioma, mas usa o que sabe para escrever, pra fazer a sua música. É uma defesa para ela. E com estilo, a garota se defende: “Se você canta em inglês, a pessoa não entende na hora”. É uma forma de mostrar o que se está sentindo, sem se expor. Espertinha a garotinha não?

07 – Tchubaruba – Um sentimento. A única música que Mallu não fez pra ninguém retrata para ela a alegria. E é uma música pra todos, e pra ela mesma. Ela queria representar um sentimento bom, uma felicidade particular. Queria uma palavra fácil de entender. E ela conjuga o verbo pra dizer pra todo mundo sair “Tchubarubando” por aí.

08 – Fama e Estudos – Sim, ela estuda. E vai terminar os estudos sim. Não gosta muito da idéia, mas já que o seu pai paga, ela vê como obrigação continuar e dar o melhor de si. Depois da “fama inesperada” a garota mudou de escola, e foi para uma que não lhe tomasse tanto tempo. Afinal, ela quer continuar escrevendo, desenhando e fazendo as tarefas de casa nos intervalos entre ser a simples “Maria Luisa”  e a cantora “Mallu”.

09 – Para o futuro – Ela não sabe ainda se quer mesmo ser cantora pra sempre. Pensa em cursar design gráfico na USP, e tem toda a moral pra isso! Curte a pop-art e fala em Hélio Oiticica, entre outros magos da arte. Realmente a garota sabe o que quer!

10 – Primeiro CD chegando – A garotinha pensa grande! Já está se preparando pra gravar o primeiro CD. A mocinha que já tem 25 composições próprias planeja gravar durantes as férias para não atrapalhar os estudos. Conciliar os shows com a escola não será fácil, mas uma menina que já tem tanto futuro com certeza vai se dar bem! Aguardemos!

E aí, tá curioso pra conhecer o “folkabilly” da pequena Mallu? É só entrar no MySpace da menina (www.myspace.com/mallumagalhaes) e conferir! E claro, se apaixonar também!

(05/05/2008 )